Quando se fala em passivo trabalhista, a maioria dos gestores pensa em uma decisão equivocada: uma dispensa mal conduzida, uma verba paga incorretamente ou o descumprimento de alguma obrigação legal.
Mas nem sempre o problema está em uma decisão equivocada.
Muitas vezes, está na decisão que nunca foi tomada.
Conflitos recorrentes entre colaboradores, denúncias de assédio, comportamentos inadequados de lideranças, sinais de esgotamento emocional da equipe. Raramente essas situações surgem de forma repentina. Em regra, são problemas que se instalam aos poucos, tornam-se conhecidos por várias pessoas dentro da organização e permanecem sem uma resposta efetiva.
Toda crise organizacional deixa rastros antes de chegar ao Judiciário.
E é aqui que mora o risco.
Quando a empresa tem conhecimento de uma situação lesiva, ou possui elementos suficientes para identificá-la, espera-se uma postura ativa. Investigar, orientar, corrigir, acompanhar e, quando necessário, aplicar medidas adequadas.
A omissão transmite uma mensagem perigosa: a de que aquele problema pode continuar existindo.
E o Judiciário tem observado isso com cada vez mais atenção.
Não são raros os casos em que a condenação decorre menos do fato em si e mais da ausência de providências por parte da empresa. Afinal, quem assume a responsabilidade de gerir pessoas também assume o dever de agir quando o ambiente de trabalho se deteriora.
O impacto, inclusive, vai muito além de uma eventual condenação. Ambientes marcados por conflitos não resolvidos costumam gerar queda de produtividade, aumento do turnover, afastamentos, perda de talentos e desgaste da própria cultura organizacional.
Problemas ignorados não desaparecem. Apenas ficam mais caros.
Por isso, a prevenção de passivos trabalhistas passa menos por apagar incêndios e mais por construir mecanismos capazes de identificar riscos antes que eles se transformem em litígios.
A pergunta que fica para reflexão é simples:
Os maiores riscos da sua empresa estão nas decisões que estão sendo tomadas ou naquelas que continuam sendo adiadas?